Um poeta louco que sonha como poucos

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quarta-feira, 16 de julho de 2014

Não consegui me desfazer

Ensaiei um jeito de não pensar 
tanto em você, 
mas na hora de atuar,
não consegui
me desfazer da realidade 
e desisti de pelo menos por um segundo 
te esquecer.

Enjoei de quase tudo nessa vida


Me enjoei de muita coisa, 
De quase tudo que é demais
E larguei por aí 
Nos caminhos dessa vida
Todo exagero que vivi. 

Muito do mesmo já não me satisfaz, 
Me libertei, 
Mas percebi, o que me enjoa agora
É a falta que você me faz. 

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Escravos assalariados

Subjulgados escrevos assalariados,
São inertes, mas ao mesmo tempo falam
E são ignorados.
Ordens são ditas descumprindo o combinado
E por conta da grana a desgraça que engana
O trabalho escravo continua de forma invariável.

Pessoas são submissas a chefes autoritários
E nada é como deveria ser,
Se estamos só de passagem por esse mundo,
Deveriamos passar bem,
Mas o que acontece é o contrário.

E o pior é que eu um dia ouvi dizer que algo desaparece
Para outra coisa poder existir,
Mas o que vejo é a velha escravidão
Sempre viva a persistir.

Gui Batista

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Findou o que era para não ter fim


Momentos derradeiros,
Vem à angústia
E bate o desespero.

Meu porto seguro na noite,
Minha casa, meu bar
E agora, onde será?

É o fim, ou é o começo?
Tento aliviar o que sinto
E penso em um recomeço.
Preciso tirar esse nó do peito.

Últimos dias, últimas horas,
Primeiros dias, primeiras horas,
Tudo junto como se fosse possível.
Meu pensamento acelera,
Vai ao início e volta ao fim.
Que história! Quantas rezas!
Que luz! Quantas velas!

Tenho que aceitar
Que tudo passou.
Não consigo acreditar,
Mas meu coração e minha mente
Deram as mãos,
Juntaram-se a emoção e a razão         
E agora parecem me carregar,
Acho que pra sempre
Nesse lar vão me aprisionar.
Muito do que sou
Saiu desse bar,
Pois sou parte
Dessa família
E se esse é mesmo o fim,
Só o que eu quero
É que esse dia termine bem.
Família Reza Vela
Pra sempre estarei com vocês.
Amém.                                           


segunda-feira, 9 de junho de 2014

Curta a vida


Quanto tempo você pensa
Que vai durar a sua vida?
Quanto tempo você acha
Que vai demorar
Pra se acertar?
Não demore pra viver,
Pois a vida passa,
Ela é muito curta,
Acaba sem ninguém perceber
E sem você saber as respostas
Das perguntas que um dia
Fizeram pra você.

Gui Batista


quinta-feira, 29 de maio de 2014

O envolvimento que não aconteceu


Noite longa
E ao mesmo tempo curta.
O meu olhar
Tudo apura,
O tempo passa,
Me vem às rugas,
A vida vai
E você também.

Para ti minha atenção
Se volta.
Eu me revolto
Por não conseguir,
Sua essência absorver
Com o meu olhar
E não poder te compreender
Antes de novamente
Barreiras nos distanciar
Findando assim
O envolvimento,
Que não aconteceu.


quarta-feira, 21 de maio de 2014

A moça que comprava bolsas e o vendedor de livros


A moça que comprava bolsas

Saiu do trabalho, andou pela cidade e acabou entrando em uma loja, entrou por que não aguentou só olhar pela vitrine lindas bolsas sem tocá-las. Pegou uma por uma, analisou os compartimentos internos, abriu e fechou todos os zíperes e desabotoou todos os botões. 

A vendedora chegou e lhe perguntou: - “Olá posso ajudar? Temos muitas bolsas e todas são de ótima qualidade e pelo que vi, muitas combinam com você”.

A moça sem saber o que falar, simplesmente concordou e disse que também achou que todas as bolsas que ela havia experimentado, eram perfeitas e realmente combinavam com ela, mas infelizmente não levaria nenhuma.

Despediu-se da vendedora, saiu e foi para casa com uma ideia fixa na cabeça, a de comprar mais duas bolsas para aumentar sua coleção que já contava com mais de quarenta, mas pra isso teria que esperar o cartão de crédito virar.

Enquanto o dia da compra não chega, a cor vira dúvida, ela não sabe, mas acha que será uma azul e outra branca.

Não aguentando esperar, ela comenta com alguém sobre sua louca vontade de comprar tais acessórios. O sujeito que ouve atentamente sobre as vontades daquela mulher um vendedor de livros que sem saber o que dizer apenas disse: - “Você é linda”.

Cada um foi para um canto da cidade, mas pelo que parecia, aquele não seria o único encontro da moça das bolsas e do vendedor de livros.

O vendedor de livros

Naquele mesmo dia Jorge saiu de casa muito cedo como de costume, pegou seu ônibus lotado e em pé durante todo o percurso, foi observando o casario acinzentado e os prédios comerciais com pequenas placas acima das portas, cruzou a cidade e finalmente depois de duas horas chegou ao seu destino.

Já na empresa depois de uma caminhada depois do transporte público incomodo, ele passa o seu cartão para registrar sua entrada que está atrasada em dez minutos mesmo tendo ele saído de sua casa quase três horas antes. Pega seu roteiro do dia, entra no carro da empresa e sai, visita todos os clientes, no fim do dia percebe que acabou o serviço mais cedo e nessa hora percebe que poderá passar em uma livraria.

Na livraria ele viaja entre os livros e inicia uma séria analise sobre sua vida. Percebeu que nunca teve muito tempo para ler os livros que sempre quis ler e nunca teve dinheiro para comprar os mesmos, lembrou de quando iniciou sua carreira como vendedor de livros e viu que se enganou ao pensar que em tal emprego teria possibilidade de mudar sua sina por estar no meio da literatura.

Jorge vendia livros didáticos e seu sonho era outro, ele queria a poesia, os romances, os contos e as crônicas da literatura brasileira e também da estrangeira. Nunca conseguiu se dedicar à leitura, mas gostava de escrever e escrevia desde criança.

Na livraria Jorge parecia uma criança perdida em um parque de diversões, não sabia por onde começar, pegava vários livros na mão, lia o prefácio, devolvia na prateleira e pegava outro, andava pelos corredores e quando algum funcionário oferecia ajuda, ele simplesmente agradecia e continuava perdido naquele labirinto de cultura.

Ele ouviu o tic tac do grande relógio de parede e notou que estava na hora de voltar para empresa, devolver o carro e encarar o retorno para casa. Parou em uma cafeteria do shopping, pediu um expresso e como não tinha mesa vaga, se sentou ao lado de uma linda moça com aparência triste.

Pediu licença e sentou já tentando iniciar uma conversa. Ela abriu um sorriso e se apresentou: “Oi me chamo Jana e você?”.

As primeiras impressões

Jana e Jorge se falaram pouco, pois ambos estavam atrasados e cada um seguiu seus caminhos rumo ao fim do dia. Ela foi para casa pensando nas bolsas que não pode comprar e ele nos livros que não vendeu.

Já no ônibus Jorge fez uma analise sobre a moça que conhecera, olhou para o número de telefone que ela lhe passou e quase o decorou, lembrou durante todo o percurso de como ela era bonita e simpática, mas algo ficou marcada em sua cabeça e ele repetia para si mesmo: “Tão bonita, simpática e elegante, mas louca por bolsas”. Logo a primeira impressão que ficou foi a de que ela era uma mulher com desejos tolos e que só pensava em bens materiais.

Jana já em casa lembrou-se de cada passo que deu naquela tarde antes de Jorge sentar-se a sua mesa, lembrou das bolsas, das vendedoras, das pessoas pra lá e pra cá nos corredores do shopping e em meio a todas essas lembranças, viu alguém perdido em meio aos livros, alguém que parecia querer ser socorrido por estar diante de um abismo e como se estivesse fugindo, encontrou abrigo naquele lugar onde tudo cheirava café.

Um viu no outro, qualidades e defeitos. Cada um ao seu modo fez seu próprio julgamento e acabaram por se autocondenarem e a sentença foi o esquecimento por se acharem incapazes de serem importantes uma para o outro.

O telefone de Jana não tocou. Jorge sem querer se distanciou mesmo antes de se aproximar. Semanas se passaram e a fita invisível que naquela tarde uniu por um instante aquelas duas almas, parecia que jamais se transformaria em um laço e tudo por causa do descaso e do preconceito ocasionados pelas primeiras impressões.

O reencontro

Em uma noite de sexta, Jorge saiu de casa sozinho, dirigiu pelas ruas, cruzou bairros e vilarejos, chegou ao seu destino no extremo leste após ver as margens das ruas em que passava, pessoas com aspectos lúgubres e aparentando cansaço após uma semana de trabalho, transito e poluição na cidade que escraviza os seus e os que vieram de longe esperando encontrar em São Paulo um futuro glorioso que quase nunca se mostra, nem para seus filhos legítimos , muito menos para os bastardos.

Seu destino era um bar, aconchegante e simples mais parecido com uma casa, um portão de grade, uma escada estreita e lá em cima um pequeno salão, uma varanda com sofás coberta por um toldo, um palquinho, um balcão, algumas mesas e banquetas e ao fundo uma cozinha onde são preparados caldos e porções.

Nesse dia, no palco um trio tocava forró universitário, mas em outros dias lá também se ouvia reggae, jaz, blues, groove e até poesias em noites de saraus.

Jorge entrou no Oyagiban Bar e logo encontrou alguns amigos, já não estava mais sozinho. Encostou no balcão e pediu uma cerveja e por não saber dançar só ficou ouvindo o som.

Nesse momento em um bairro vizinho, duas amigas inseparáveis se aprontavam para saírem e esquecerem o estresse da semana. Partiram de suas casas com o mesmo destino de Jorge, lá chegaram e encostaram-se ao balcão.

Como obra do destino, no mesmo lugar estavam juntos novamente, o vendedor de livros e a moça que comprava bolsas. Ela olhou para ele e disse: “Você nunca veio aqui né? Você não parece com o pessoal que vem aqui!” Ele respondeu: “Sempre venho aqui, venho sempre nas noites de quintas e até recito algumas poesias que escrevo”.

Os dois conversaram, se conheceram realmente e decidiram se encontrar outras vezes. Jorge viu que a moça não era só uma amante das bolsas, ela também era culta e conhecia mais de literatura do que ele, ouviu Jana falar dos autores que já leu e que quer ler e enquanto ela falava de Charles Bukowski, Dostoievski, William Burroughs, Jack Keroac, Jorge Amado, Machado de Assis, Paulo Leminski entre outros consagrados escritores e poetas do Brasil e do mundo ele percebeu que errou ao pensar tudo que pensou a respeito dela e nesse instante pra ela se entregou e desfez a cara fechada.

Ela o abraçou e viu que Jorge era um homem de valor, viu também que ele tinha uma cara de bravo, mas percebeu que era apenas uma forma de se proteger do mundo que um dia o roubara de sua inocência.

Jana se entregou, mas aos poucos se transformou, nem ela e nem Jorge entenderam o que impediu a construção de um laço entre eles. O tempo passou, brigas sem razões aconteceram e os dois que tentavam ficar juntos se perderam nas curvas da vida.

A moça juntou as bolsas que em toda sua vida comprou, ao vendedor as entregou e disse: “ Não preciso mais disso tudo, aproveite delas o conteúdo e a elas dê o fim que julgar correto”. Se despediu e sumiu no mundo, foi embora para outro estado, hoje mora em Petrolina.

Jorge pegou as bolsas e as abriu, se surpreendeu quando viu em cada uma dez livros e na última uma mensagem de despedida dizendo: “Esses são os mil livros que li antes de te conhecer, nosso caso foi muito breve, mas tenho medo de mim mesmo quando penso no que sinto por você, aceite de coração esse meu pedido de desculpas e me perdoe por ter te forçado a ficar impassível diante do dragão que me tornei”.

Jorge nunca mais viu Jana, mas ainda espera reencontra-la para dizer o quanto ela foi importante para ele e que na verdade ela nunca foi um dragão, muito pelo contrário, ela em sua vida foi inspiração.

Rato ou humano


O dia amanheceu pálido
E alguém lá em cima
Chorava uma garoa
Que caía devagar.
Árvores se destacavam
Num fundo enevoado
Que lembrava a solidão
Do poeta que andava só,
Pelos seus caminhos
Por dentro da selva de pedra
E mesmo assim, ele tentava
Por um momento se alegrar.
Sorriu por estar vivo,
Mas depois chorou.

O poeta viu dois ratos
Com corpos de humano,
Roubando um caixa eletrônico
Do Banco do Brasil
E se deu conta, que de ratos
Eles não tinham nada,
Pois eram realmente humanos
Em plena decadência,
Cada vez mais, por dinheiro
Se deteriorando
E enquanto isso
Alguém lá em cima,
Uma garoa chorava
Às seis da manhã.

Gui Batista

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Resposta a uma Poeta

Resposta a uma Poeta 

Realmente você mudara,

Hoje é mulher formada.
O tempo passou 
E te amadureceu.

Das antigas tardes melancólicas,

O que lhe restou foi a inteligência 
E a beleza que com os anos
Aumentaram e continuam a aumentar.

A inspiração não se foi,
Apenas dorme
E você é capaz.

Se permita e escreva,
Se mostre ao mundo,
Poeta Elis, você é demais.

Visões de uma caminhada


Andando pelo caminho a pé como há muito tempo não fazia pensei em fazer a parada rotineira para um café, mas antes de parar, ao meu lado andando eu avistei a moça que um dia vira trabalhando na padaria, era a confeiteira. Aumentei meus passos para companha-la e ver de perto aquelas lindas mãos que já me encantara desde o primeiro bolo que comi feito por ela.

A moça dos confeitos parecia estar com pressa, pois suas passadas eram vigorosas como as de quem tem hora marcada e não quer se atrasar. Eu que minutos antes andava calmo olhando tudo ao meu redor, mudei o ritmo do caminhar, mas antes vi e senti que as ruas são mais bonitas quando se anda a pé, vi que alguns motoristas dão passagem para pedestres, me perdi na atmosfera dos passantes que eram muitos, mas me atentei nas varandas de duas casas geminadas na calçada esburacada que eu passava e percebi que os pisos eram iguais, lembrei-me dos pisos que via em minha infância, era um chão de cimento forrado de cacos de azulejos vermelhos, essa visão me trouxe lembranças imortais. Uma lágrima de saudade quase caiu quando percebi que por pouco ia me perdendo da confeitaria que já atravessara a praça e eu ia fincando para trás.

Acelerei o passo e passei por um banco de madeira escuro que havia a minha frente onde dois senhores falavam sobre suas vidas, desviei de uma roda de crianças que estavam a brincar. Queria ali ficar para poder voltar mesmo que em pensamento para uma época boa que ficou para trás, época que as brincadeiras nas praças, ruas e terrenos baldios ultrapassavam o pôr do sol e se prolongavam sempre além do combinado com os pais, mas lembrei que estava com outro propósito naquele momento e segui em frente par ver alguns segundos depois a dama que adoçava minha boca com seus confeitos entrar na padaria.

Entrei um pouco depois na Larimer Pães e Doces, vi várias mesas vazias, mas sentei em um banco alto no balcão, pedi o meu café e esperei durante alguns minutos novos bolos chegarem à vitrine colorida.

A reposição dos bolos e doces começou e estava sendo feita por ela, vi no seu uniforme limpíssimo, mais branco que o açúcar, um broche contendo um nome que prontamente li e falei em voz alta: “Joana”, ela me olhou, sorriu e perguntou-me: “o que desejas?”. Fiz meu pedido e tentei ir além num dialogo com ela, mas notei que já estava atrasado para o trabalho, retornei para a minha caminhada e vi a minha frente mais uma jornada de trabalha tendo em minha mente pensamentos e lembranças sobre tudo que vi, enquanto a pé eu andava em São Paulo num fim de tarde ensolarado.

Gui Batista

quinta-feira, 8 de maio de 2014

O que vivi em um sonho


Despertei de um cochilo no fim de uma sonolenta manhã de quinta feira depois de já ter dado aula as seis, fato que me forçara a sair da cama às cinco horas da madruga, antes mesmo de eu ter deixado o sono que me persegue há dias ir embora.
Acordei novamente e dessa vez um pouco assustado com um longo sonho que tive em alguns minutos de sonos que pareciam eternos. Sonhei que me rendia ao capitalismo e me vi com aquela sede de ganhar dinheiro a qualquer custo que nos é imposta para que possamos ser iguais uns aos outros nesse mundo de fachadas em que vivemos.
Quis e consegui uma fortuna, como eu não sei, mas consegui e por incrível que pareça minha vida mudou, flutuei e me vi do alto, eu era um jovem em rápido processo de envelhecimento, roupas cinza, acho que era um terno cobrindo um corpo que se modificava dando origem aparência repugnante e a uma barriga protuberante.
Percebi que, ao mesmo tempo em que eu me arrastava pela selva de pedra, ela se arrastava para dentro de mim, meu antigo jeito manso e doce que não via maldade em quase nada, foi endurecendo e dando lugar a um ser com uma face lânguida, coração gélido e  pensamentos que eu nunca antes havia pensado.
Os intermináveis minutos de cochilo quase foram interrompidos por mim, antes de eu ao menos saber onde aquilo que eu tinha me tornado ia chegar, mesmo sonhando lembrei que precisava raspar a cabeça para tentar disfarçar os fios brancos que já brotavam como gramas albinas em meio a meus cabelos pretos.
O sonho continuou por um minuto que se perdeu na imensidão do tempo, pois nunca chegara ao fim e assim pude ver que por conta de uma coisa que nunca quis como prioridade na vida, eu envelhecia e mudava minhas essências. Vi lá do alto meu corpo irreconhecível, não mais andando e sim cambaleando, com notas de dinheiro transbordando dos bolsos traseiros das calças, eu estava indo atrás de amor e carinho, coisa que há muito tempo não via, mas não achei em nenhum lugar e estava prestes a entrar em um...
Acordei por pensar que já estava atrasado para ir trabalhar e antes do minuto perdido achar o caminho do fim, me precipitei e o sonho encerrei sem saber onde entrei. Na verdade atrasado não estava e ao acordar constatei que mal havia dormido.
Analisei e reanalisei tudo que sonhei e cheguei à conclusão que é melhor viver do jeito que estou vivendo, sem muito dinheiro, mas com muita paz e amor. Não precisamos de muito dinheiro, só do suficiente.


terça-feira, 29 de abril de 2014

Cheiro do passado

Hoje senti um cheiro de passado,
Lembranças vieram à mente
Não muito claras,
Mas fizeram meu coração acelerar.
Que cheiro era esse,
Que me fez 
Num momento de nostalgia entrar?
Sem saber ao certo 
Do que me lembrei,
Saudades de que não sei,
Pode ser de amores largados
De amigos afastados talvez.

Nunca saberei 
O que o cheiro 
Me fez lembrar,
Mas uma coisa é certa,
Me emocionei
E deu vontade de chorar.

Já não somos o que fomos


Se um pensamento brotou
E hoje virou poesia,
É por que houve evolução
E apenas pensamento
Já não é mais.

Se uma criança não sabia ler,
Nem escrever
E hoje tudo isso faz,
É por que aprendeu
E analfabeta
Já não é mais.

Se ontem você era novo
O tempo veio, passou
E te envelheceu,
Novo já não é mais.

Se viemos dos macacos
E eles são nossos ancestrais
Tudo bem,
Mas hoje iguais a eles
Já não somos mais.

Evoluímos e nos transformamos,
Somos todos iguais,
Mas ainda não nos aceitamos
E por isso nos tornamos
Um para os outros
Armas letais
E acabamos por regredir
Por não querer entender
Que já não somos mais
O que fomos.



quinta-feira, 24 de abril de 2014

Ilha do Desterro


Com pouco dinheiro
E muita vontade
Ele sai por aí,
Procura riquezas
Em meio a pobreza
E realmente vê
Onde está a nobreza.

Passa por becos,
Segue pelas estradas,
Para na praia
E num quarto
De um Hostel,
Ele tem consigo
Somente o necessário.

Encontra abrigo
Perto de amigos
Que vivem distantes,
Mas pra ele abriram as portas
No fim de uma viagem,
Que surgiu do nada
E nem teve roteiro.

Em Florianópolis
Que também já foi chamada
De Ilha do Desterro,
Ele se sentiu em casa
E de sua mente sumiu

O desespero.

terça-feira, 1 de abril de 2014

Não sucumbi


Aos que acharam
Que eu sucumbi,
Se enganaram
Estou de volta.
Aos que acreditaram
E me deram força,
Voltei por mim e por vocês.

Se a inspiração não vem,
Eu corro atrás
Trago ela de volta.
Não sou eu que a faço
E sim ela que fez,
Por isso jamais sucumbirei.

Nunca desista,
Faça sua vontade prevalecer.
Julgamentos existirão,
Mas no fim virá à sentença,
A derrota do fracasso
E a vitória pra você.

Somos broto de raiz forte
E a ela temos que recorrer,
Buscar sabedoria
E inspiração para nossas vidas
Fortalecer e continuarmos
Em paz viver.
Fugir da decadência,
Não esperar o pior acontecer
Mostrar que temos competência

E podemos também vencer.

segunda-feira, 31 de março de 2014

Cadê você

Me expondo a todo momento,
Uso minhas palavras
Que ganham asas
E levam meus sentimentos
A todos que hoje eu falo
E aos que estão me lendo.

Outras palavras quero dizer,
Às vezes tento, mas nem sempre
Sei como fazer.
Os dias se vão e a inspiração
Não vem.

Me desespero, mas espero,
Sei que as ideias voltarão.
Hoje não escrevo só por escrever,
Dói o peito e a cabeça acelera
Quando aqui fico
Aguardando um novo texto,

Em minha mente aparecer.

domingo, 23 de março de 2014

Lenine e seu violão


Vi uma orquestra
De cordas e metais
E no meio de tudo aquilo
Um único violão,
Mostrou como se faz
E fez bonito demais.

As mãos que o tocavam,
Era do mesmo dono
Da voz que cantava
E encantava
Um vale em Itaquera.

Um único violão
Representando um vira lata,
Daqueles que estão não mão do povo
Em qualquer bar,
Até mesmo em qualquer esquina
Sendo acompanhado
Por vários cães de raça
Que eram violinos, arpas,
Violoncelos, trompetes
Trombones e saxofones.

Orquestra sinfônica de Heliópolis
Com Lenine se juntou
Deu origem a uma união rítmica
Que nossos ouvidos
 E nossas almas acariciou.

Lenine com seu talento
Cumpriu sua missão ao destacar
O som de seu violão,
Em meio à comunhão
De instrumentos clássicos
Que geralmente ficam
Distantes da população.

Lenine com sua voz aqueceu o ar,
Coloriu o dia
Na tarde de um domingo cinzento
E assim nos ajudou

A espantar o frio que fazia.

sábado, 22 de março de 2014

A garoa que só molhava


Em São Paulo garoava
A garoa que molhava,
Só molhava.
Hoje a chuva cai
Inunda a cidade
E as ruas, todas asfaltadas
São impermeáveis,
Ficam todas alagadas.

A terra da garoa cresceu,
O mato verde,
Há muito tempo se foi
O cinza prevalece
E a natureza abundante
Desapareceu.

Mas ainda se vê
Em alguns cantos
Recantos de raízes fortes
Onde arvores começam
A renascer.

O natural se renova,
Tenta se libertar
Da massa cinza que aprisiona,
Luta contra a morte,
Sua e da cidade.

O ser humano
Em vez de ser
Ainda não é,
Em vez de fazer
Ainda não faz,
Em vez de querer,
Ainda não quer.

A cidade precisa do homem
Precisa que ele seja,
Que ele faça,
Que ele queira
E principalmente que ele viva
Mas em vez disso tudo,
Ele prefere aos poucos morrer,
Ele prefere morrer.




terça-feira, 18 de março de 2014

Penso em ti a toda hora


Na correria do meu dia a dia,
me satisfaz a alegria
De te ter pensando em mim.
E eu sigo por caminhos 
rodeado de espinhos,
mas sei que entre eles
está você ó minha flor.
Às vezes paro pra pensar 
Onde será que ela está,
Mas geralmente penso nisso
mesmo sem parar.
Cadê você ó meu amor,
Penso em ti a toda hora
Minha flor.

Aos poucos me perdem

Aos pouco me perdem
Os que se afastam,
Aos pouco perco
Aqueles que eu me afasto.
Vidas que são vividas
Na distância que distancia,
Na corrida da correria
Mas esperam com esperança
Um pouco de atenção
No meio da desatenção.
Aos poucos nos perdem
E aos poucos perdemos.
Não se encontra mais o que procura
E não se procura mais o que encontra.
O problema é o tempo,
O meu não é igual ao seu
E o do outro não é igual ao daquele outro.
Tudo tem sua hora certa,
Mas nem todos a temos no mesmo lugar
E no mesmo horário.
Muitas coisas são perdidas
Quando se compara vidas com vidas,
Cada um vive ao seu modo
E ninguém é igual a ninguém.
Uns mudam e crescem
Enquanto outros crescem
E mudam completamente
Suas essências.
Aos pouco me perdem
Os que se afastam,
Aos pouco perco
Aqueles que eu me afasto.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Gotas que brincam e dançam


Gotas que brincam e dançam

Chuva caiu bonita,
Chuva de água e chuva de vento.
Caiu sem parar e sem direção,
Não percebeu que caiu no meu coração.
Caiu de um jeito tão forte,
Parecia querer a terra inundar.
As gotas se juntavam no céu,
Pareciam estar a brincar.
No meio da chuva ouvi um sussurro:
Vamos nos unir e mesmo caindo
Vamos brincar e dançar
Para alegres na terra chegar.
Foi aí que percebi,
Gotas malandras,
Fazem dos céus
Uma pista de dança
E chegam a terra
Sempre trazendo a esperança
Da bonança,

Ao final se mostrar.

domingo, 9 de março de 2014

Viva bem

Passamos pelo mundo 
Como o tempo passa em nossas vidas
Como flecha lançada ao ar 
Em campo aberto
Sem opção de voltar
E nem de um momento
Poder capturar.
Mude seu modo de viver
E viva bem
Para não se arrepender.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Lágrimas de saudades


Choro lágrimas de saudades
De tempos idos,
De pessoas que se foram,
De lugares que viajei.
Choro lágrimas de saudades,
De um tempo que não vivi,
De pessoas que não conheci,
De lugares que nunca estive.

Sinto em meu peito
Um imenso amor por tudo e por todos.
Dos meus olhos transbordam
Lagrimas de saudades
Que por vezes
Quase me afogam,
Fazendo-me externar
Sentimentos e tudo que sou.

Sou amor sou paz sou união
Sou passado sou presente e futuro
Minha essência transita
Entre tudo que vi
E me faz sentir até o que não vivi.

Choro lágrimas de saudades
De um tempo que passou,
Agarro-me as lembranças que ficou
E como diz Cartola:
O inverno do meu tempo
Já começa a brotar.

Hoje percebo,
Bem mais do que antes
Que todas as flores
De minhas primaveras
E todas as folhas caídas
Em meus outonos,
Só existiram por causa                     
De todos os verões

Que vivi.